Desordens da Córnea

Profª Drª Ana Maria Barros Soares
1. Ceratite Ulcerativa.
2. Ceratite Herpética.
3. Seqüestro de Córnea.
4. Ceratopatia Tropical (Flórida Spots).
5. Ceratite Superficial Crônica (Pannus).
6. Ceratite Pigmentar Superficial.

1. Ceratite Ulcerativa
Etiologia:
• Traumática. • Infecciosa. • Desordens Sistêmicas. • Imunomediada. • Lesão química. • Deficiência de lágrima. • Anormalidade palpebral. • Corpo estranho.
Sinais e Sintomas:
• Dor; fotofobia; blefarospasmo; epífora.
• Hiperemia conjuntival.
• Perda de transparência (Edema de córnea; neovascularização; infiltração de células e pigmento).
• Miose (contração da íris e do corpo ciliar = resposta à dor).
• Uveíte de intensidade variada (alteração da permeabilidade vascular; quimiotaxia de neutrófilos).
• Ulceração (Superficial; Profunda; Descemetocele; Prolapso de Íris).
• Observe sinais variados dispostos nas Figuras de 1 a 8:

  • Figura 1: Úlcera corneana superficial corada com corante de fluoresceína.

  • Figura 2: Úlcera corneana superficial corada com corante de fluoresceína.

  • Figura 3: Úlcera corneana profunda, com edema de córnea.

  • Figura 4: Úlcera corneana profunda com Dscemetocele (exposição da membrana de Descemet).

  • Figura 5: Úlcera corneana com sinais de infecção por bactéria produtora de colagenase. Observe edema intenso e parte central com efeito "melting".

  • Figura 6: Úlcera corneana com sinais de infecção por bactéria produtora de colagenase. Observe edema intenso e parte central com efeito "melting".

  • Figura 7: Úlcera corneana profunda. Observe hipópio na câmara anterior.

  • Figura 8: Prefuração corneana com perda do Humor aquoso.

2. Ceratite Herpética
Definição: Ceratite causada pelo Herpevírus felino.
Etiologia:
• Alérgica.
• Irritação Física Trauma.
• Alteração do filme lacrimal.
• Infecciosa - Vírus (Herpesvirus - Calicivírus – Paramixovírus - Adenovírus); Chlamydophila; Mycoplasma; Bactérias; Fungos.
• Parasitária.
• Imunomediada.
• Neoplasias.
Manifestação:
• Úlceras superficiais dendríticas.
• Úlceras geográficas - são superficiais e extensas e coram com fluoresceína (Figura 9).
• Úlceras geográficas - são superficiais e extensas e coram com fluoresceína (Figura 9).
• Úlceras geográficas - são superficiais e extensas e coram com fluoresceína (Figura 9).
• Úlceras profundas que podem levar a descemetocele e prolapso de íris.

  • Figura 9: Úlcera geográfica corada com fluoresceína. Felino portador de Herpesvírus Felino.

3. Seqüestro de Córnea
Definição: Lesão observada apenas em felinos. Área da córnea que sofre alteração, degeneração e forma um ponto de necrose, de coloração amarronzada. Ocorre invasão de vasos na tentativa de resolver a alteração (Figura 10). Ás vezes o aspecto e o curso do seqüestro mimetizam a presença de um corpo estranho.
Etiologia: Não se conhece bem a causa; acredita-se que está associado à irritação crônica. Como nos casos de Herpesvírus; Ceratoconjuntivite seca; entrópio; úlcera crônica; exposição crônica. Predisposição racial: Persa; Himalaia; Siamês.

  • Figura 10: Felino da raça Main Coon portador de entrópio e seqüestro corneano.

  • Figura 10: Note região onde o seqüestro desenvolveu é a parte que sofreu irritação crônica.

4. Ceratopatia Tropical (Flórida Spots)
Definição: São lesões que se apresentam como pontos brancos na córnea de gatos e cães (Figura 11). São manchas circulares, em geral sem sinais clínicos. Acredita-se que possam ser causado por "Mycobacterium", ou fungo, ou ter alguma outra causa infecciosa, pois, em geral, quando um animal apresenta, os outros da mesma residência também podem manifestar.
Implicações: Em geral os animais não apresentam desconforto. Ocasionalmente observam-se hiperemia conjuntival e blefarospasmo.

  • Figura 11: Ceratopatia tropical em olho de felino sem raça definida. Note pontos brancos na córnea.

5. Ceratite Superficial Crônica (Pannus)
Definição: Acredita-se que haja uma reação inflamatória imunomediada, as células do epitélio corneano proliferam e o estroma superficial é invadido por linfócitos e plasmócitos; há também invasão de melanócitos e histiócitos, além de vascularização.
Etiologia: A etiologia é desconhecida. Ceratite com provável origem alérgica ou auto-imune, alguns incriminam a ação dos raios solares.
Predisposição racial: Comum no Pastor Alemão; outras raças: Greyhound; Husky siberiano; Teckel.
Sinais: O epitélio e o estroma tornam-se pigmentados e vascularizados (Figura 12). Usualmente começa no quadrante temporal e segue em direção ao medial. É progressivo!
Diagnóstico diferencial: Ceratite pigmentar; CCS; tecido de granulação.

  • Figura 12: Ceratite superficial crônica em canino da raça Pastor alemão. Note intensa neovascularização corneana.

6. Ceratite Pigmentar Superficial
Definição: Produção e deposição de pigmento no epitélio e subepielial (Figura 13), que ocorre em associação com um nível baixo e crônico de irritação corneana.
Etiologia:
• Exposição crônica devido à exoftalmia e lagoftalmia.
• Predisposição Racial: Pug; Pequinês; Boston Terrier; Shih Tzu; Lasa Apso; Bulldog.
• Distiquíase; entrópio; prega nasal; CCS.
Implicações: A progressão da doença pode levar à perda da visão.

  • Figura 13: Animal da raça Pug.

  • Figura 13: Portador de exoftalmia, lagoftalmia, entrópio de canto medial e ceratite pigmentar.