Desordens da Úvea ou do Trato Uveal

Profª Drª Ana Maria Barros Soares

1. Uveíte
Definição:
• É a inflamação do trato uveal ou túnica média ou vascular. Engloba a íris e o corpo (úvea anterior) e a coróide (úvea posterior). Na uveíte anterior o animal pode apresentar uma irite ou iridociclite; já na posterior há a manifestação de uma coriorretinite.
Etiologia:
• A uveíte pode ser gerada por doenças oculares primárias ou por alterações sistêmicas (uveíte secundária).
• Idiopática: muitas vezes não se chega à etiologia. Nos felinos 70% dos casos são de origem idiopátca.
• Neoplasias: primárias - melanomas; secundárias - linfomas.
• Infecciosa.
• Bactérias: leptospirose; brucelose; septicemia/ bacteremia (endocardite; piometra; doença periodontal; pioderma, etc).
• Protozoários: toxoplasmose, leishimaniose.
• Vírus: cinomose; hepatite infecciosa, FHV-1; FIV, FeLV, PIF.
• Rickettsias: ehrlichiose; bartonellose.
• Fungos: blastomicose; histoplasmose; criptococcose; coccioidomicose.
• Parasitas: migração errática de Dirofilaria immitis; Toxocara canis.
• Imunomediada/ Reações de Hipersensibilidade.
• Facolítica: Induzida pela lente – As proteínas da lente geram reação imunomediada.
• Adenovirus.
• Síndrome Úveo-Dermatológica: há uma destruição imunomediada da melanina ou dos tecidos que contém melanina. Resulta em despigmentação da pele, pêlo e alterações oculares, como uveíte granulomatosa, podendo apresentar descolamento de retina e, posteriormente, glaucoma secundário. As raças mais predispostas à síndrome são: Akita, Husky siberiano e Chow-chow.
• Traumática.
• Coagulopatias.

Sinais e Sintomas:
• Figuras 1, 2, 3 e 4.
Os sinais de uma uveíte aguda incluem:
• Dor - blefarospasmo; epífora; fotofobia; enoftalmia com protrusão da terceira pálpebra.
• Hiperemia: congestão de conjuntiva, esclera, íris, coro ciliar.
• Edema corneano: devido a lesão endotelial.
• Miose (ou simples resistência à dilatação química): mediada por liberação de prostaglandinas.
• Pressão intra-ocular baixa devido a inflamação do corpo ciliar.
• Íris edemaciada e /ou hiperêmica/ mudança na coloração.
• Quebra da barreira ocular.
- Flare (quebra da barreira hemato-aquosa há alteração do conteúdo protéico do humor aquoso. O aumento de proteína é visto como uma ligeira turvação na câmara anterior).
- Hifema (sangue na câmara anterior).
- Fibrina.
- Hipópio (células brancas na câmara anterior).
Na presença de uveíte crônica adicionam-se:
• Precipitados Ceráticos: deposição de linfócitos, macrófagos e fibrina no endotélio corneano.
• Discoria:abertura pupilar de formato anormal.
• Sinéquia: aderências entre a íris e a córnea ou lente.
• Catarata e/ou Luxação da Lente:lesão das zonulas.
• Glaucoma secundário: secundário à sinéquia posterior (íris bombé – quando 360 graus), ou sinéquia anterior periférica (impedindo a drenagem do humor aquoso).
• Degeração vítrea.
• Atrofia do bulbo: devido a destruição permanente do corpo ciliar.
• Alteração da Visão.

Diagnóstico:
• Sinais.
• Tonometria.
• Deve-se ressaltar que 70% dos casos de uveíte são de origem idiopática. Porém devemos informar ao cliente a importância da pesquisa da causa para que sejam eliminadas as doenças específicas ou as de importância epidemiológica.
• Observam-se sinais de doença sistêmica ou de doença ocular pré-existente. Observar estado geral, febre, linfoadenopatia.
• Origem do animal.
• Hemograma, bioquímica sérica.
• Sorologia para FIV, FeLV, toxoplasmose, PIF.

  • Figura 1: Canino da raça Retriever do Labrador com uveíte bilateral devido à Ehrlichiose.

  • Figura 2: Uveíte por Ehrlichiose. Note edema de córnea, congestão episcleral e miose.

  • Figura 3: Uveíte devido à Peritonite infecciosa felina. Note flare, precipitados ceráticos, edema de íris, mudança na coloração da íris e miose parcial.

  • Figura 4: Hifema em canino da raça Poodle portador de catara. O exame ultra-sonográfico revelou luxação anterior da lente.